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Poesia FIB

Um blog que sigo, o Learning to Live like Water, apresentou-me esta forma de poesia: os FIB. Poemas com base na Sequência Fibonacci, que ditará o número de sílabas ou palavras em cada verso. Achei interessante, pois os números de Fibonacci fascinam-me, especialmente pela sua presença na Natureza lado a lado com a Proporção Áurea. Mas…isso serão temas para outras escritas, quem sabe!

De momento, quero partilhar convosco as minhas experiências neste formato de poesia que me intrigou. Tentei fazer FIB com sílabas métricas e palavras, chegando mesmo a fazer um ou outro com inversão dos números (limitei-me ao 5 e foi daí para trás); qual acham que funciona melhor?


pensamentos
constantes
procurando respostas
chegam mais dúvidas
não sei parar de pensar.
– 28.03.2017-
(fibonacci de palavras)

tantos caminhos abertos
tantas opções
dúvidas
indecisões.
– 28.03.2017 –
(fibonacci de palavras, em ordem inversa)

ser
mais
ser plena
ser capaz finalmente
saber que quero e como!
– 28.03.2017 –
(fibonacci de palavras)

sou.
sim
estou
enfim eu,
plena de questões.
– 28.03.2017 –
(fibonacci de sílabas métricas)

tantas paixões me assolam assim
tantas ânsias enfim
querer mais
fazer,
ser.
– 28.03.2017 –
(fibonacci de palavras, em ordem inversa)

Bem, agora fiquei com vontade de voltar aos poemas, de voltar a tentar haiku… veremos o que sai daqui!

Coisas da época

Dezembro em pleno
poucos dias para o ano terminar
O mundo finge-se sereno
Pois é hora do Natal celebrar.

Luzes e cores
Música e risos
Ignoramos um pouco as doresa_very_sad_christmas_story_with_a_happy_ending
Travamos ligeiramente os juízos.

Alardeiam-se sentimentos
de amor, bondade, caridade e fé
Pena que estes momentos
Sejam escassos e falsos até.

Todo o ano homens choram
Lutam por nada ter
Agridem-se e sangram
Buscam outra forma de ser.

Paz na Terra
Fraternidade
Sentimentos bonitos
Mas tanta falsidade

Que haja um Natal
Que todo o ano dure
Em que aquilo que apregoamos
Verdadeiramente perdure.

Sonia, 2016
Que o Natal possa ser de Verdade; e que o seja todos os dias.


Thought

Taking into
Careful consideration
I ponder.

Tires me, this thinking
Constant
Persistent.

Yet I do not know
how or when
could it stop.

To be is to think
to think is to be
Am I being or thinking me?

(free writing, as it flowed into my mind, on the afternoon of September 29th – no edits whatsoever)

Agorafobia

Agorafobia?
Um dia podia e iria
Entre sonhos e magia
A outro universo inteiro e diria
Que nada mais eu quereria
Voltaria
Sossegaria a alma inquieta
Escreveria tudo o que me afecta
Poderia dar de mim o melhor sem
Temor
Dor maior
De ser e não poder
De tremer a temer o pior
De fugir
De não sorrir
De fechar tudo em mim
Fechar-me de tudo enfim
Fechando a dor de mais um fim
Nada mais que negando dizendo sim
Agorafobia!
Caminho interrompido
Pesadelo escolhido
Na multidão perdido
Sem ar, ser mar
Sem som, ser cor
Sem ver, ser menos e mais
Exclamar estes ais (!)
Que guardo do mundo
Que corroem com medo
Neste rodopio mudo
Neste aberto segredo.
Agorafobia…
Nem tanto nem sei
Não é medo das pessoas
Nem é medo do que sei
É um terror que assola
Existência vã enfim
Agarrado gravitante a uma bola
De minérios a girar no universo sem fim.

| Criacionismos |

Fazem-se os homens de anseios e valores
Sobre coisa nula de sentido
Senhores de tantos domínios imaginados.

Fazem-se os homens de cores e sentidos
Paladares de estímulos escondidos
Sacerdotes de navios inacabados.

Fazem-se os homens a si mesmos
Reinventando noções e nações
Sacrílegos pensadores empedernidos de crenças.

Fazem-se os homens maiores que a vida
Menores que o sonho emudecido de uma era
Sorteando contradições que suas são mas que renegam.

Fazem-se os homens e desfazem-se assim
Constructos mentais com resposta biológica
Façai-vos, homens, reinventai toda esta quimera.

Boneca | Doll

bonequinha

Boneca de trapos
Porque não sorris?
Vinda da terra dos sonhos
E não és feliz?
Nesse teu país de fantasia
Não deveria reinar a alegria?
Porque estás tão tristonha
Se a cara, ta fizeram risonha?
Pobre bonequinha
Feição feita em esgar
Sonha desde pequenina
Ter alguém para amar.

                                            28/08/2011

Meu amor

Hoje vi-te.
O sol ganhou calor
a tristeza virou cor
e a minh’alma sorriu.
Meu coração correu
descompassado bateu
meu amor, meu amor.
Hoje vi-te.
As lágrimas fizeram sentido
as saudades ficaram comigo
a esperança cá dentro gritou.
Meus lábios quiseram beijar-te
meus braços, envolver-te
meu amor, meu amor.
Hoje vi-te.
O teu rosto de poema
as tuas mãos postas em cena
o sorriso sedutor.
Meu corpo tremia
minha boca dizia
meu amor, meu amor.
Hoje vi-te.
Foi como um renascer
da tua ausência doer
da perda e da mágoa sem fim.
Quis correr e agarrar-te
quis a viva voz chamar-te
meu amor. Meu amor!
21/05/2012