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Festas Felizes, ou a falta de espírito festivo

Estamos a 9 dias do Natal. Menos ainda, apenas 5 dias nos separam do Yule, Solistício de Inverno – que assinala o dia mais curto em horas de luz do ano e promete mais Sol a cada dia que passa.

Devia estar entusiasmada. Devia pensar em presentes, em comidinhas gostosas, em decorações.

Não estou. Não há foto temática nos meus perfis nas redes sociais – excepto a do anjo que adorna a frente da igreja, que ontem pus no Instagram, porque achei bonitinho. Não há árvore nem decorações lá em casa. Não há a playlist de Natal que o ano passado me atormentava com prazer todo o dia, que tenho no YouTube (em vez disso, ando a ouvir isto). Não há planos, nem presentes comprados, nem viagens planeadas.

Há vazio. Há saudade. Há dúvida. Há uma certa solidão. Há um toque de desespero – ou uma sensação de não ter chão, de estar um pouco perdida. Há questões sobre o sentido de viver como vivemos, de fazer as coisas como fazemos. Há medos primitivos sobre velhice, desamparo, doença, perda.

Creio que não estarei só neste sentimento. Creio que sei, de certa forma, que não estou. O mundo está a evoluir, a mudar e isso dói – todo o planeta está em sofrimento agora mesmo. Toda a Humanidade está em sofrimento agora mesmo. Growing pains, é a minha esperança. Uma viragem para algo diferente, melhor do que destruição e dor que temos agora. Eu estou a mudar e a evoluir e isso implica desorientação, confusão, dor, medo. Que o que cresce em mim seja diferente, melhor, também – e que consiga espalhar isso pelo mundo.

Uma parte de mim sabe que provavelmente daqui a um dia ou dois, o Espírito da época – aquela parte boa e bucólica – vai chegar a mim. Depois, logo se vê. Agora, a única coisa que quero do Natal é sossego.

Ainda assim: Festas Felizes – seja Natal, Kwanza, Hanukkah, Yule ou nada de religioso – e Paz na Terra a TODOS os Homens (e Mulheres)!

E porque hoje é dia de ensaio geral; porque amanhã é dia de concerto do Oasis Voices, no Auditório do Alto dos Moinhos às 21h, deixo aqui a pérola que me tem tocado mentalmente non-stop nos últimos dias:

 

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Carta a um amor longínquo…

δ Agosto, 2011 δ

Meu amor,

               há 5 anos que nos tocámos pela primeira vez, naquele lugar entre aqui e ali, entre sonho e limbo, entre terra e céu. Há 5 anos que te instalaste no meu coração, no meu pensamento, na minha alma. E aí ficaste, como se me tivesses lançado um feitiço.
               Dirias talvez que foi o contrário, a feitiçaria foi minha e foi de mim que ficaste cativo, com prazer. Cheguemos a acordo, foi mútuo e inesperado…e oh tão bom! Lutei contra a certeza de ti e deste sentir, então, temendo estar a ficar louca. Aposto que lutaste também, fugindo a sensações, anseios e sentimentos que há muito esqueceras que existiam e estavas certo de não ser capaz de sentir, pensar ou experienciar.
              Demos tanto um ao outro, meu amor, damos tanto às nossas almas imortais com esta união que o amor nos proporciona. Com esta entrega, este fogo, esta ternura risonha que agora me aquece o peito, ao lembrar os nossos despiques e provocações.
              Quase quero chorar, sinto água a juntar-se nas pestanas, mas luto contra as lágrimas. Recordar-te, recordar-nos, é um prazer. Deveria ser fonte unicamente de alegria. Se me assola a ânsia de te carpir, é porque te sinto a falta, porque as saudades sufocam tanto que o ar que respiro mal é suficiente.
              Amante, amigo, confidente, companheiro, amor. És tudo isso e muito mais, meu querido. E eu que sempre fui boa com palavras, fiquei sem vocabulário capaz de dizer o quanto te amo.
              Pergunto-me tantas vezes o que estarás a fazer, a pensar, a sentir. Pergunto-me se teremos outra oportunidade de nos termos nos braços um do outro, perdidos. Pergunto-me se sentes a minha falta, se pensas em mim. Se ainda me amarás como antes.
              Meu querido, meu amor. Sonho contigo, acordada e entre os lençóis da minha cama solitária. Fecho os olhos e vejo o teu rosto, sinto o teu cheiro, respiro o teu sorriso e o teu calor. E quero-te a meu lado, cada vez mais, a cada instante que passo sem ti.
              Os nossos planos para um amanhã partilhado foram-se, desfazendo-se em fumo? Não creio. Muito menos creio que assim o aches. Apenas os adiámos, até ao momento em que o destino nos volta a juntar e transforme em viver o nosso sonhar.
              Eu e tu, o “amor e uma cabana” talvez. Mas o amor, sempre o amor, sempre. Acima de tudo e de todos, para sempre.
             Um dia terei uma palavra que te descreva e ao que sinto por ti e tu por mim. Mais do que meu amor, mais do que meu amado, meu amante, meu querido, meu anjo; mais do que alma gémea, perdição, paixão. Consigo dizer o que és, o que não és, aquilo que és mais que…mas não consigo algomerar, aglutinar, conjurar, combinar os vocábulos para fazer compreender ao mundo este sentimento, este Amor.
              Tu tornas-me inteira, quase o velho cliché do “completas-me” mas não é bem isso. “Apenas” sou mais eu quando estou contigo; quando te tenho ao meu lado. Não receio ser eu mesma, sem vergonhas, contigo. Amar-te e saber que me amas faz-me acreditar em mim e nesse “potencial escondido” que dizem que todas as pessoas têm.
             Sinto a tua falta, tenho saudades de ti, de nós e de quem sou contigo. Mal posso esperar pelo nosso “para sempre”.

Amo-te, antes agora e sempre.

Tua, inteiramente
 Mashiara