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Desabafando | Letting it out

Já se passou algum tempo. Ando a evitar chatear-vos muito com os meus dramas interiores e batalhas mentais, mas depois penso que este espaço foi feito para a partilha. Não só daquilo que “produzo” artisticamente, mas de mim – pelo sentido de conexão e união, de pertença até, que isso possa trazer: para vocês que me lêem e para mim que escrevo ( e recebo os vossos comentários e opiniões, que me enriquecem de tantas formas).

Ando irrequieta, interiormente. Sinto que se aproxima uma grande mudança, que de certa forma fui eu que pus em movimento, mas não estou preparada. Cheia de medos, de questões, de incertezas. Não ajuda que este instinto não seja algo de concreto, relativo ao que mudará em que aspecto da minha vida e como – é apenas aquela sensação intensa de que alguma coisa vai mudar, vai acabar, vai dar uma volta. E com essa sensação vem alguma angústia – o que me deixa ainda mais irrequieta e mais preocupada nesta cabeça de hiper-pensadora, ruminadora – que me enche de preocupação e de temores e me deixa paranóica.

Vamos a ver o que os próximos tempos me trazem, depois da confusão que foi o mês de Agosto em termos de relações familiares e estabilidade emocional…torçam por mim, sim?

It has been a while. I have been avoiding to nagg you too much with my inner dramas and mental battles, but then I think that this space was created for sharing. Not only what I “produce” artistically, but myself – for the sense of connection and union, even belonging, that it may bring: for you that read me and for me writing (and receiving your comments and opinions, which enrich me in so many ways).

I have been feeling restless inside. Feeling like a big change is coming, on that it was me who set in motion in some ways, but I am not ready. Filled with fears, questions, uncertainties. It does not help that this instinct is not defined, in regards to what is going to change in which aspect of my life and how – it is just this instense sentationthat something is going to change, to end, to take a turn, a 180º. With that sensation in comes some anguish – which makes me even more restless and more worried in this overthinking ruminating head of mine- which fills me up with worries and fears and makes me paranoid.

Let us see what times will bring, after the confusion all of August was in family relations and emotional stability…fingers crossed for me, ok?

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Agorafobia

Agorafobia?
Um dia podia e iria
Entre sonhos e magia
A outro universo inteiro e diria
Que nada mais eu quereria
Voltaria
Sossegaria a alma inquieta
Escreveria tudo o que me afecta
Poderia dar de mim o melhor sem
Temor
Dor maior
De ser e não poder
De tremer a temer o pior
De fugir
De não sorrir
De fechar tudo em mim
Fechar-me de tudo enfim
Fechando a dor de mais um fim
Nada mais que negando dizendo sim
Agorafobia!
Caminho interrompido
Pesadelo escolhido
Na multidão perdido
Sem ar, ser mar
Sem som, ser cor
Sem ver, ser menos e mais
Exclamar estes ais (!)
Que guardo do mundo
Que corroem com medo
Neste rodopio mudo
Neste aberto segredo.
Agorafobia…
Nem tanto nem sei
Não é medo das pessoas
Nem é medo do que sei
É um terror que assola
Existência vã enfim
Agarrado gravitante a uma bola
De minérios a girar no universo sem fim.

I have been (over)thinking

I feel restless. I feel miserable. I feel lost.

I really don’t know what to do with myself lately. Can anyone relate to this feeling of helplessness, where you know that something has do be done but you have no idea what or how? Has anyone overcome a stage like this that can give me any pointers or tips on how to go about this incredible need for something (I really don’t know what), for change, for purpose?

Family matters are tense, to be soft on it. I find myself very much on my own when it comes to close blood ties. My relationship with my mother tends to deteriorate further and further with each interaction and I do not know how to go about it right now except distancing myself, for all it does is hurt me and bring me further down. Then, this distancing – perhaps even severing ties (at least for the time being) – also hurts me and brings me further down, fills me with fears of being all alone in the world, helpess and unsupported and just sort of…orphaned.

I know I am not: I have other family that I feel would lend a helping hand and be there for me, as well as good friends – the family I chose and that chose me – who wish to see me well, desire me to be close to them and would extend a helping hand whenever needed. I have my guy, supportive and caring, ever more patient towards my quirks that annoy him – really making the effort for us to be all we can as a team, as partners, as companions. Yet this person, my mother, is one of the grandest foundations of my life, along with being also a source of many of my “traumas” – I really don’t want to call them traumas as I don’t feel my stuff is as severe as what you would call trauma, let’s go with ‘dents’ instead. Together with my grandmother (though not biological), still living and nearing 92 years of age; they comprise the living relatives that I remember being there my entire existence. The onset of dementia brought by a nasty fall, along with all that old age brings, is taking my grandma away from me day by day – living away from her, every time I go on a visit the pain is sharp and dull at the same time. Oh, how the forced perception of mortality (others’ and my own) hurts!

What is the point in all this? Why struggle so much, to have, to amass, to buy, to be rich…? Nothing of it goes with us – should mankind really be such a slave of its own construct?

Yes, I have been feeling terribly non-conformist. Tired of the way we live. I feel myself drowning in meaningless struggle for something I don’t see as truly purposeful or suitable for me and the happiness and serenity I long for.

Any thoughts or advice? Am I alone in this?

(I did go a long way on this one, didn’t I? Sorry folks!)

O Estado do Mundo. Estado de Sítio?

Cada vez que abro uma newsletter de algum dos jornais que tenho subscritas ou abro uma rede social para ver o que se passa com as pessoas à boa laia de voyeur, assusto-me.

Metade dos destaques da newsletter do Observador que acabei de receber fazem-me parar de respirar uns instantes enquanto uma boa parte de mim fica dormente com a loucura e a violência que assolam o mundo um pouco por toda a parte, todos os dias, cada vez mais.

Reféns numa igreja em França, degolações e sabe-se lá mais o quê. França tem sido um alvo preferido de situações de terrorismo e violência sem sentido neste ano insano que estamos a viver.

Logo atrás, especialmente nos últimos dias, a Alemanha tem vindo à ribalta em situações de violência, ataques sem sentido a cidadãos que apenas querem seguir com o seu quotidiano: tiroteio em Berlimbombista suicida em Ansbach e o caos instalado na vida das pessoas comuns.

A surpresa do dia para mim (mais que as outras, pois chega um ponto que começamos a ficar dessensibilizados a estas coisas no sentido de nos chocarmos – isto porque agora todo o bendito dia há pelo menos um), foi esta: tiroteio em centro comercial na Suécia. Quantas vezes nos chegam notícias destas dos países escandinavos? Once in a blue moon, como dizem os nossos amigos anglo-saxões. Pois a blue moon chegou lá, parece, às terras do Sol da Meia-Noite.

Não posso deixar de assinalar igualmente o sucedido na Somália, onde explosões se fizeram sentir na cidade capital. Treze mortos (pelo menos) na explosão junto ao aeroporto e um bombista suicida nas proximidades das instalações das Nações Unidas que tiraram a vida a pelo menos 10 pessoas.

Haverá vontade de viver num mundo assim? Constantemente em medo de quando será a nossa vez? Temos sorte, aqui no nosso Portugal, onde temos estado sossegadinhos. Mas até quando?
É urgente fazer-se algo. Mas mais do mesmo, será solução? Esta sociedade está podre e já não serve o seu propósito – é preciso uma enorme mudança de paradigma, mais humanista, mais uno, mais sincero e livre de subterfúgios… sei lá! É desesperante…vou ali enterrar a cabeça na areia, porque não quero mais ver isto, como a maioria das pessoas faz – e com esta atitude nada muda e só piorará. Mas também o que poderemos nós fazer? Já não sei, já não sei; vou ali ser criança, brincar com o Principezinho um bocadinho e os adultos idiotas que nos entregam um mundo destes que se amanhem.

(desculpem, é uma desesperança…nem sei que pensar!)

Balada de um Coração Só

“Um guerreiro da Luz faz sempre algo fora do comum.
Pode dançar na rua enquanto caminha para o trabalho, olhar nos olhos um desconhecido e falar de amor à primeira vista, defender uma ideia que pode parecer ridícula. O guerreiro da Luz permite-se tais dias.
Ele não tem medo de chorar mágoas antigas ou alegrar-se com novas descobertas. Quando sente que chegou a hora, larga tudo e parte para a sua aventura tão sonhada. Quando entende que está no limite da sua resistência, sai do combate, sem se culpar por ter feito uma ou duas loucuras inesperadas.
Um guerreiro não passa os seus dias tentando representar o papel que os outros escolheram para ele.”

– Paulo Coelho, Manual do Guerreiro da Luz

Permitirmo-nos sentir tudo o que é possível a um humanos sentir; chorar de dor, rir de êxtase, dançar de alegria; cria contentamento e uma sensação de estar completo na alma.
O medo do ridículo nunca deveria impedir-nos de fazer o que o coração nos pede, assim como o medo de sofrer nunca nos deveria impedir de arriscar. A felicidade espreita em cada esquina, basta apenas aceitar tudo o que ela acarreta.