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Festas Felizes | Happy Holidays

Ontem fui um bocadinho Grinch, ao fim do dia, eu sei! Estava desanimada com a época, com as pessoas – com a vida até.

Há momentos assim, depois passa e é isso que importa.
Fui deixar algumas coisas na corda mais quente da Avenida da Liberdade, uma inciativa da Heat the Street que visa a distribuição de agasalhos a quem deles mais precisa nesta altura: aqueles que não têm um lugar onde se abrigar. Fui buscar um docinho para a mesa de Natal, que adoro. Recebi uma encomenda, com um miminho para a minha casa, antes do que esperava. E fiquei um pouco menos zangada com a Humanidade e o Mundo (ainda estou muito aborrecida, mas quero é celebrar o Amor e todas as coisas boas).

Por isso, almas esvoaçantes que me lêem – e que eu aprecio muito – a todos desejo:

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I was a bit of Grinch yesterday, with my poem, I know (even though it was in Portuguese, and you probably didn’t bother to translate, it was a bit of a sad rant about Christmas spirit and hypocrisy). I was really gloomy and down about the season, people – life, even.

There’s moments like that, but then we get over them – and that’s what matters.
I donated some stuff for an initiative that aims to get warm apparel to those who most need it this time of year: those who do not have a place to take shelter from the cold. I picked up a delicious cake that I love, for the Christmas table. I got a package with a small present for my house, which I didn’t expect to get before Christmas. And I was a little less angry with Humanity and the World (I’m still quite a bit upset, but right now I want to celebrate Love and all the good things).

So, you fluttering souls that read my – and whom I dearly appreciate – I wish you all:

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Festas Felizes, ou a falta de espírito festivo

Estamos a 9 dias do Natal. Menos ainda, apenas 5 dias nos separam do Yule, Solistício de Inverno – que assinala o dia mais curto em horas de luz do ano e promete mais Sol a cada dia que passa.

Devia estar entusiasmada. Devia pensar em presentes, em comidinhas gostosas, em decorações.

Não estou. Não há foto temática nos meus perfis nas redes sociais – excepto a do anjo que adorna a frente da igreja, que ontem pus no Instagram, porque achei bonitinho. Não há árvore nem decorações lá em casa. Não há a playlist de Natal que o ano passado me atormentava com prazer todo o dia, que tenho no YouTube (em vez disso, ando a ouvir isto). Não há planos, nem presentes comprados, nem viagens planeadas.

Há vazio. Há saudade. Há dúvida. Há uma certa solidão. Há um toque de desespero – ou uma sensação de não ter chão, de estar um pouco perdida. Há questões sobre o sentido de viver como vivemos, de fazer as coisas como fazemos. Há medos primitivos sobre velhice, desamparo, doença, perda.

Creio que não estarei só neste sentimento. Creio que sei, de certa forma, que não estou. O mundo está a evoluir, a mudar e isso dói – todo o planeta está em sofrimento agora mesmo. Toda a Humanidade está em sofrimento agora mesmo. Growing pains, é a minha esperança. Uma viragem para algo diferente, melhor do que destruição e dor que temos agora. Eu estou a mudar e a evoluir e isso implica desorientação, confusão, dor, medo. Que o que cresce em mim seja diferente, melhor, também – e que consiga espalhar isso pelo mundo.

Uma parte de mim sabe que provavelmente daqui a um dia ou dois, o Espírito da época – aquela parte boa e bucólica – vai chegar a mim. Depois, logo se vê. Agora, a única coisa que quero do Natal é sossego.

Ainda assim: Festas Felizes – seja Natal, Kwanza, Hanukkah, Yule ou nada de religioso – e Paz na Terra a TODOS os Homens (e Mulheres)!

E porque hoje é dia de ensaio geral; porque amanhã é dia de concerto do Oasis Voices, no Auditório do Alto dos Moinhos às 21h, deixo aqui a pérola que me tem tocado mentalmente non-stop nos últimos dias:

 

Puer Natus…in Bethlehem

Pois é, aproxima-se o Natal e a passos largos… este ano (como no ano da data original deste texto) sinto uma amargura relativa a esta época. Para onde quer que me vire, tudo me parece decorado com tanto cinismo como luzes, incluindo eu. Será isto chegar à idade adulta? Então, rejeito o “adultismo”, criança para sempre!
Enfim, mas de facto a razão deste post é outra: a NOITE MAIS LONGA DO ANO. Quatro dias depois dela, do Solistício de Inverno, em pleno Yule! Noite mágica… para mim, nessa noite de 21 de Dezembro sente-se mais do que noutra data a magia do Natal. A magia da terra que renasce para trazer nova vida na Primavera. E no fundo não é isso que o Natal representa? Nascimento, vida nova?
Venha o Novo Ano! Cheio de novidades – e de um ser adulto mais sincero e carinhoso.
Tudo de bom e Boas Festas, amigos… que se prolonguem por todo o ano! (aproveitem para namorar a Lua Cheia de Natal!)
escrito originalmente em 2010 – actualizado para hoje.