Ornitorrinco | Platypus

O pobre ornitorrinco tem questões de identidade
tenta, tenta, com afinco mas quem é de verdade?
Cauda de castor, bico de pato,
procura com ardor saber quem é de facto.

Perguntou à mamã, perguntou ao papá
até perguntou aos manos, que disseram ‘deixa lá’.
Decidido a saber onde é o seu lugar
onde pertencer, como actuar
parte o ornitorrinco pronto a explorar.

Primeiro passo, decide tentar o pato.
Passadas poucas horas, já não lhe serve o fato.
Debicar, debicar… e aquela forma de nadar?!
O pequeno não gosta de tanta pena
e discretamente sai de cena.

Do bico à cauda, mudança radical.
Vamos lá ver o castor, talvez seja ideal.
Mas logo vê que não, não é construtor…
roer árvores causa ao petiz muita dor.

Regressa ao ninho o ornitorrinco.
Cabisbaixo, suspira e levanta o trinco.
Espera-o a família ansiosa e preocupada.
A mamã abraça-o, aliviada.

O pequeno ornitorrinco já não busca uma verdade.
Ele é o que é, esta é a realidade.
Depois de tentar, procurar, experimentar e ver
aprendeu que ter vergonha de quem somos
não tem razão alguma de ser.

Setembro 2010

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