S. E. R.

É impressionante como nos auto-confundimos tão facilmente. Como duvidamos de nós mesmos e daquilo que já tínhamos como certo acerca de de nós. Como o que achamos saber sobre o mundo e os outros está sempre em questão, sempre em cheque, sempre sob análise.
Serei só eu que penso assim? Que penso TANTO assim?
Como alguém que muito estimo me diz tantas vezes, não sou um floco de neve único e especial. Certamente. Neste exacto momento, milhares de pessoas devem pôr-se as mesmas questões que me atormentam.
Milhares de mulheres devem estar a olhar-se ao espelho (ou a ver-se reflectidas no écrã do computador), tal como eu, a perguntar-se se ele de facto tem algum interesse nela ou se é tudo fruto da sua imaginação. Se ele estaria interessado mas ela estragou tudo com algo que disse, fez ou escreveu… ou por ter sido demasiado ‘forward’ para os padrões da sociedade, tentando dar um passo em frente. Se calhar era cedo demais para tentar fosse o que fosse – e será que de facto foi uma tentativa?
Milhares de pessoas, milhões até, estarão a perguntar-se se as qualidades que apregoam são de facto reais e tantas outras devem, tal como eu, sentir-se desiludidas com o facto de não serem capazes de ser verdadeiramente a pessoa que pensam que são – não serem tão tolerantes como se acham, tão pacientes como se acham…and so on and so forth.
No fundo, a verdade mais básica é esta: por mais que se negue, nós estamos sempre em primeiro lugar. E ser um pouco egoísta é bastante saudável e faz maravilhas à saúde mental. Apenas temos de aprender que o nosso egoísmo tem de conviver com o de toda a gente.
Os outros não vão ser altruístas para com os nossos desejos, tal como nós não abrimos mão dos nossos anseios pelos de outrém (atenção que falamos de necessidades mais que básicas, diria até primais.)
Só quero que gostem de mim. Só quero ser amada. Só quero ser ouvida, entendida, acarinhada. Quero sentir que SOU um floco de neve único e especial, porque há alguém que me vê assim, como algo precioso e frágil.
Mas não quero ser frágil sem força. Não quero ser única e só.
Tudo o que quero é amor. Quero amar, amar – não necessita ser perdidamente. Intensamente, isso sim.
Amar e ser correspondida, nem que seja por um segundo fugaz.
Sou um poço de contradições, surpresas e desilusões.
Sou humana, nada mais.
setembro de 2010

Estarei só nestes pensamentos? Digam-me!

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